Não, eu não sou uma mãe divertida

Não, eu não sou uma mãe divertida!

Desde sempre quis ser mãe.  Sempre me planejei e era um sonho. Nenhum dos meus filhos foi planejado, mas foram muito amados desde sempre e durante a gravidez sempre me imaginava indo a parques, escorregando juntos, brincando e inventando brincadeiras, assim como sempre via em revistas, jornais e blogs de maternidade. Mas depois a realidade sempre foi outra.

Amo ser mãe, amo meus filhos e me preocupo com eles sempre, mas não, não sou uma mãe divertida, não tenho paciência de me sentar e brincar por horas, ou descer e brincar de escondo esconde e pega pega (brinco as vezes), mas não tenho pique ou ânimo pra isso. Acho lindo quem faça e gostaria muito de ser assim, mas não sou.

Essa fantástica visão de uma mãe e mulher multitarefas, que  cuida da casa, da vida, da alimentação, das brincadeiras, da inteligência, das situações do dia a dia e está sempre linda e disposta a tudo, nos é apresentado desde sempre junto com toda aquela visão de que é só maravilhoso ser mãe. Com palavras de amor, imagens de paz e tranquilidade. Crescemos ouvindo todas as coisas maravilhosas sobre a maternidade, sobre o amor incondicional (o que eu não concordo), mas ninguém fala sobre a realidade – e acredito que isso é o que causa cada vez mais depressão em mães – pois você acredita que vai ser lindo, que não precisará de ajuda, que quando nasce um bebê nasce uma mãe, que você vai saber todas as respostas, que seu filho não vai dar chilique, que ele não vai comer doce ou bater em ninguém, que não vai ver TV e nem responder, e quando isso acontece você se sente mal, incapaz, inútil…uma péssima mãe.

Temos que respeitar a criança mas temos que respeitar, principalmente quem somos. Tentar ser a mãe zelosa quando somos a favor de independência, tentar ser a mãe relaxada quando queríamos colocar os filhos em uma bolha, ser a mãe divertida e engraçada quando não é nosso perfil ser engraçada, só piora o relacionamento da vida em família, pois foge de quem somos. Meus filhos são felizes, eles brincam, eles riem, temos momento de cócegas e risadas profundas, mas não, eu não sou uma mãe divertida.

Eu adoro leva-los ao parque e ficar ali, olhando e participando da felicidade e não da brincadeira. Adoro sentar e assistir um filme comendo pipoca, adoro sentar no chão enquanto ele monta blocos ou sentar a mesa enquanto ela desenha, adoro estar deitada na cama com os dois brincando e rindo mas me deixando ali, curtindo aquele som maravilhoso da risada deles.

Não, eu não sou uma mãe divertida, mas sou uma mãe amorosa, sou uma mãe preocupada em que tipo de pessoa eles serão, sou  uma mãe que se emociona quando os irmãos estão brincando juntos, sou uma mãe que se importa demais (além da conta) com os estudos e a educação dos meus filhos. Sei que deveria fazer mais, sei que deveria brincar mais e juro que tento, juro que me esforço; mas quando entendi que sou uma ótima mãe, mesmo não sendo a engraçada e a divertida, passei a ser mais  feliz e a transformar meu lar num lugar mais calmo e que funciona melhor, pois dei ouvidos a quem sou e nas minhas qualidades como mãe, e não naquilo que a sociedade ou as pessoas em volta acham que seria o ideal de mãe.

O lar de um filho é o coração de sua mãe e quando ele esta em paz, tudo se faz mais feliz!!!

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